Introdução
From HowToBrew
Há muitos bons livros a respeito de como fazer cerveja artesanal disponível hoje em dia, então por que escrever outro? A resposta é: Uma questão de perspectiva.
Quando eu comecei a fabricar minha própria cerveja, faz bastante tempo, lia cada livro que encontrava, alguns deles publicados há mais de 15 anos. Era evidente para mim que a arte de fazer cerveja em casa tinha evoluído desde então. Enquanto um um livro ainda recomendava usar levedura de padaria e cobrir a cerveja fermentada com um pedaço de pano, outra publicação já insistia em levedura selecionada e equipamentos específicos para fabricação de cerveja. Desta maneira, percebi que um outro ponto de vista, expondo os “porquês” dos processos de fabricação, poderia ser bastante útil aos produtores iniciantes.
Um resumo básico do processo de fabricação seria:
- “Dissolve-se” a cevada maltada em água quente formando açúcares.
- Esta solução de açúcar de malte é fervida com lúpulo, que confere amargor e aromas característicos.
- Resfria-se a solução e se adiciona levedura para começar a fermentação.
- A levedura fermenta os açúcares, liberando CO2, álcool etílico e outros aromas.
- Quando se completa a fermentação, engarrafa-se a cerveja adicionando um pouco de açúcar para ajustar a carbonatação.
Parece (e de fato é) bastante simples. Porém, à medida que se lê o livro compreendemos a incrível quantidade de informação que se resumiu em 5 passos. O primeiro passo sozinho pode encher um livro inteiro, vários na realidade. Fabricar cerveja é uma arte e uma ciência. A ciência é o que permite converter-se em artista. Aprender a respeito dos processos de fabricação permite aplicá-los como o faria um artista. Como dizia meu professor de história, “é chato somente até que se aprenda algo. O conhecimento faz as coisas interessantes”.
Como engenheiro, eu me sentia intrigado pelos processos de fabricação. Queria saber o que esperar de cada passo, para poder fazê-lo melhor. Por exemplo, ao adicionar a levedura ao mosto, o objetivo procurado era fermentar o mais rápido possível para evitar a propagação de micróbios ou leveduras não desejadas. Existem na realidade diversos fatores que influenciam na propagação de leveduras, os quais não foram explicados em nenhum livro. Felizmente, descobri os grupos de discussão sobre fabricação de cerveja na Internet. Logo descobri porque minha cerveja tinha ficado tão brilhantemente clara, mas somente apta para que mosquitos depositassem seus ovos nela. Quando adquiri experiência, e pude fabricar cerveja comparável a qualquer das que se comercializam, percebi que havia novos fabricantes com as mesmas dúvidas que eu tinha tido. Decidi então escrever um documento eletrônico que continha tudo o que o principiante precisa saber para começar. Foi revisado por outros cervejeiros artesanais, e aceito por muitos como um dos melhores guias disponíveis. “HOW TO BREW YOUR FIRST BEER” ainda esta disponível e pode ser reproduzido para uso pessoal.
Com o passar do tempo, ao migrar dos kits comerciais com extrato de malte para fabricar cerveja em “partial mash” (fabricada usando-se metade extrato de malte, metade grãos), e “all-grain”(fabricada sem o uso de extrato de malte), encontrei documentos explicando estes processos de fabricação, mais complexos. Então decidi escrever meu próprio livro.
A fabricação com extrato não deve ser considerada inferior à fabricação com grão, simplesmente é mais fácil. Requer menos espaço e menos equipamento. A razão pela qual eu troquei o “partial mash” por “all-grain” foi simplesmente a diversão.
